Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

A última geração de crianças como eu foi a minha

Minha m?e, minha irm? e eu passamos o carnaval na casa da minha tia.(fotos toscas aqui). Eu morei nessa casa dos cinco anos e meio aos oito e brinquei MUITO por l?. ? uma casa legal, tem um quintal grande na frente, onde eu e meus irm?os brincav?mos muito. E durante essa temporada que passamos l?, eu e minha irm? por vezes fomos brincar com o nosso primino nesse quintal no carnaval. Mas eu descobri que as brincadeiras mudaram muito de uns tempos pra c?. Hoje em dia existe o "pique Bob Esponja", uma vers?o gen?rica de "quente ou frio" (aquela brincadeira em que voc? esconde uma coisa, os outros v?o procurar e voc? fica dizendo se a pessoa est? quente ou fria de acordo com a posi??o dela em rela??o ao objeto escondido), meu primo acha sem gra?a brincar de "Meus pintinhos venham c?" (que para mim era a coisa mais divertida do mundo. Quem n?o conhece, vou explicar, ? uma brincadeira onde algumas crian?as ficam de um lado do quintal/ou-sei-l?-onde, uma delas ? a mam?e e tem uma raposa, a mam?e tem que fazer com que as outras crian?as cheguem at? ela, e vai oferecendo coisas. Quando ela oferece milho, as criancinhas v?o correndo at? ela, mas tem que ser r?pido, sen?o a raposa - outra crian?a- pega elas) e achou chato brincar de pique fruta. Ele s? gostou de uma brincadeira, pique parede.
Fiquei pensando sobre isso. Meu primo acha que as brincadeiras que eu e a minha irnm? propusemos s?o bobas, mas estamos apenas falando das mesmas coisas com nomes diferentes. Claro que algumas regras mudaram, mas num ambito geral s?o exatamente as mesmas brincadeiras.
Eu estranhei isso por que eu tive que lidar de frente com a realidade, eu vi com os meus pr?prios olhos que eu sou de outra gera??o, que, oh, eu cresci. As crian?as com quem meu primo brinca s?o filhos dos irm?os mais velhos das crian?as com quem eu brincava. H? seis anos minhas expectativas eram outras. Todo dia eu chegava da escola, almo?ava, descansava dois minutos e descia pra brincar. Brincava a tarde toda, at? de noitinha, jantava e dormia. No outro dia, repetia a dose. Eu nunca pensei que fosse me mudar para um apartamento, que a minha av? ia morrer e que as coisas iam mudar. A? eu volto l? e vejo que a minha ?poca, j? se perdeu. As crian?as de hoje, daqui a seis anos, pensar?o como eu.
Mas, com licen?a, t? na minha vez de ficar com saudade. ;)

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Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

Ouvir ou não?

Numa noite normal, acordei com sede e fui at? a cozinha louca por um copo d'?gua. Com pregui?a de ficar em p? bebendo ?gua, me sentei na mesa da cozinha, que fica perto de uma janela. Dessa janela eu podia ouvir a discuss?o de um casal vizinho. Como a curiosidade matou o gato, eu escutei um pouco, mas depois comecei a pensar se era certo invadir a privacidade dos outros assim. Ent?o eu comecei a pesar o que era mais importante: ir dormir pensando como seria legal ser a estrela do pr?dio por uma semana nos "assuntos de elevador", aqueles papos despretensiosos que as pessoas tem enquanto o elevador sobe ou desce. Nesses papos sempre rolam umas fofocas b?sicas, e todo mundo iria me perguntar: "Voc? ? que ouviu aquela discuss?o do 807 n?? Fio horr?vel... como ? que ele chamou ela mesmo?". Ah, a fama.... Ou ent?o seu dormisse com a coinsci?ncia tranq?ila sabendo que a privacidade daquele casal com problemas seri amantida, pelo menos por mim.
Mas como que para incomodar os meus pensamentos, justo quando eu optei por dormir com a coinsci?ncia tranq?ila, meu irm?o acorda, talvez tamb?m insano por um copo d'?gua.
- Que voc? est? fazendo acordada?
Ent?o ele se aproximou da janela e percebeu que os vizinhos discutiam aos berros, ouvidos nitidamente de nossa janela:
- Coisa feia... ouvindo a conversa dos outros!
- Nem tava ouvindo nada. Voc? que deve estar doido para ouvir. E eu j? estava indo dormir. Boa noite.
- T?, t? bom... me engana que eu gosto.
E sai, com a mente relaxada. mas acordei muito cedo e quando fui na cozinha para beber um copo de leite com Nescau, encontrei meu irm?o dormindo, debru?ado sobre a mesa.


* - Eu escrevi isso h? s?culos, na m?quina de escrever do meu tio e ? 1000% fict?cia!
- E...??
- Nada, s? queria avisar! ;)

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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

14 Anos

Eu tenho 14 anos, isso voc?s j? devem ter percebido no meu perfil, mas eu penso de maneira completamente diferente das outras meninas da minha idade.
Quando vou ao shopping, pro exemplo, me deparo com essa realidade f?til das outras meninas de 14 anos. A maioria vai pro shopping de minissaia, tamanco salto 70, cabelos oxigenados, brincos enooormes, maquiagem at? no cotovelo e andam rebolativamente e falam mole. Gente, eu n?o consigo ser assim. N?o que eu v? bagun?ada pro shopping, pelo contr?rio, prezo muito pela minha imagem, mas n?o consigo agir como elas.
Sou frequentadora ass?dua do Iguatemi Rio e l? tem uma lan house. As meninas ficam plantadas na frente da lan esperando os meninos chegarem ou sa?rem e dando o maior mole pra eles ou simplesmente esperando receber um elogio ou serem comentadas dentro da lan. Eu me divirto assistindo a cena. Eu s? apare?o em lan houses por dois motivos: pra entregar ou buscar alguma coisa com o meu irm?o (uma chave ou dinheiro) ou quando meu computador est? quebrado h? mais de dez dias, quando a minha abstin?ncia de internet fica maior que eu. S?.
E eu nunca fiquei na minha vida. E nem pretendo. Uma vez eu pensei em abrir uma exce??o, mas deu errado e tamb?m n?o quero mais. Ficar desvaloriza demais a garota. Por mais que ela s? fique com quem goste ou raras vezes, ela fica. Nesses casos, eu aplico a teoria da geladeira, que um amigo da minha irm? criou: o cara quando vai comprar uma geladeira, ele olha a que est? em exposi??o, abre as gavetas, toca, explora, mexe e gosta ou n?o. Mas quando ele for comprar, ele n?o vai querer a que est? em exposi??o, que ele e outras pessoas j? mexeram e experimentaram, ele vai querer a do estoque. E eu quero ser o estoque, entendem? As outras meninas, preferem ficar em exposi??o e encalhar depois. A? ca? o pre?o delas. Eu quero o meu pre?o alto.

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