Sábado, Janeiro 29, 2005
AmoLHAÇÃO - 10ª temporada
Malhação entrou, neste ano, em sua décima temporada, e os fãs da novelinha/do seriadinho já imaginam o que vai acontecer. Provavelmente, uma heroína perfeita, um galã disputado, uma vilã muito má, o Cabeção e outros futuros André Marques.
Então, em meu humilde blog, sugiro algumas mudanças na trama em comemoração aos dez anos de Malhação, que transformariam algo óbvio em uma coisa < baiano > totalmente nova e inesperada, linda e leve! Baseada nessa força que brota do chão< /baiano >.
Problemas comuns comuns e pouco comentados
Normalmente os roteiristas gostam de ter personagens aidéticos, grávidos e aleijados, numa vã tentativa de mostrar para os espectadores jovens e alienados que existem problemas maiores que acabar com o namorado e ver os pais se separarem.
Então, eu sugiro que os roteiristas foquem em problemas complexos, comuns e pouco comentados como polidactilia e nanismo.
Uma possível cena de Malhação escrita por mim:
A mocinha vai tentar catar o mocinho, que acabou de conhecer. Papo vai, papo vem, o cara revela que seu relacionamento com a namorada não vai nada bem. Ela, charmosamente, pergunta:
- Porque não vai bem?
- Eu acho que posso te contar isso... você é minha amiga.
- Diga...
- Eu tenho um tique nervoso.
- O que?
- *tique nervoso estranhíssimo*
- ...
- Eu costumo controlar na frente dela, mas ela me pegou de surpresa uma vez, no shopping, quando eu finalmente pude me esquivar e matar a vontade de *tique nervoso estranhíssimo*.
- Ah, sim...
Nesse momento, ela faz cara de nojo e desiste de tentar ficar com ele. Mas não quer perder o amigo e continua a conversa:
- E ela se afastou de você por isso?
- Ela também descobiu meus quatro mamilos...
Os autores nunca pensam nesses jovens que sofrem com tiques e mamilos extras. Uma cena dessas faria muitos jovens pensarem e acabarem com esse preconceito de que "quem tem mais que dois mamilos é boiola", muito comum nas grandes cidades.
Aidéticos, grávidas e gays já foram bem treinados demais por vocês, roteiristas, nesses dez anos, e já sabem como lidar com qualquer problema e são bem tratados por todos. Mas enquanto existirem pessoas com dedos ou mamilos demais, tiques nervosos e gagueira, que não podem viver tranquilamente pois sempre são humilhados e ridicularizados por todos, insistirei para que vocês, autores, criem tramas que mostrem que todos são iguais, mesmo com coisas a mais.
Meu nome é Enéas.
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
O cansaço
Estava exausta. Pegou seu ônibus, um homem cedeu o lugar. Agradeceu, sentou e fechou os olhos, cansada. Franziu a testa com os olhos fechados pensando naquele dia estressante e que o ano está apenas começando. Depois relaxou, mas não conseguia abrir os olhos. Tentou separar as pálpebras com as mãos, mas foi ineficaz. Pediu ajuda ao moço que cedeu o lugar, mas ele também não sabia o que fazer. Houve uma comoção dos passageiros, mas todos concordavam que ela não tinha nada que ter fechado os olhos.
- Que pensasse na vida com os olhos abertos!
Domingo, Janeiro 23, 2005
O ateu
Já não gostava muito de ir na igreja e perdeu o pouco interesse que tinha quando lhe disseram que Deus não existe.
Quem lhe disse isso foi seu melhor amigo, que é também seu primo e mora na cidade grande, onde as pessoas parecem, apenas parecem, ser mais esclarecidas e saber das verdades da vida.
- Existe nada, rapaz. Deus é ficção! - afirmava o rapaz, categórico, ao telefone.
- Mas, segundo o que você disse, não parece existir mesmo.
- Por isso que eu sou ateu, seja você também. Depois que você virar ateu e contar isso aí na sua cidade, você vai livrar essas pobres almas da enganação.
E foi o que ele fez. Contou para os colegas mais chegados que, a partir de hoje, não acreditava mais em Deus e não ia mais na igreja. É claro que, morando numa cidade pequena, a notícia se espalhou rapidamente, e logo todos ficaram sabendo que Orlilton era o mais novo sem fé da cidade.
Mas como estava ficando cansativo ter que explicar os porquês do seu ateísmo, Orlilton teve uma idéia genial: fundar a primeira igreja atéia do Brasil, quiçá do mundo, quiçá do universo.
Começou com pequenas reuniões para discutir idéias sobre o cristianismo e seus conceitos. Foi indo bem, crescendo e começou a chamar a atenção. Saiu num jornal do estado uma notinha sobre a nova religião, que preferia nem ser chamada de religião e processou o jornal.
Mas o tempo foi passando e eles já não tinham mais o que discutir, estavam todos certos sobre suas não-crenças. Então Orlilton escreveu a bíblia dos céticos e escreveu um livro em que explicava o sentido de cada versículo da bíblia.
A igreja cresceu, ele passou a cobrar entrada e ficar rico com o dinheiro dos livros. Construiu a catedral mundial da não-fé e tem seu próprio canal de televisão.
Sábado, Janeiro 15, 2005
Atualizar posts velhos é viver...
Enquanto isso no confessionário...
- Diz o nome e o voto...
-Eu voto na Natália...
- Na Natália não dá. Ela é lider.
- Desde quando!?
- Desde que ela ganhou a prova do líder.
- Eu hein... em mim ela não manda.
- São as regras. Vote.
- Ah é...Mas então em quem eu voto, Bial?
- Não sei, a escolha é sua
- Ok, vou votar na Marielza...
- Mas ela está imune...
- E por quê?
- Por que o público deu a imunidade pra ela, oras!
- O público?
- Esquece, Pink. Vota logo. Só não pode ser na Natália e na Marielza. O resto tá liberado.
- Ah, mas eu gosto de todo mundo...
- Vota, Pink. Pára de me enrolar.
- Tá, então eu vou votar em mim mesma
- Também não pode
- Que saco, mas aqui também não pode nada!
- Votar em si mesma? Mas você quer sair da casa?
- É que eu acho que ninguém vai votar em mim, aí fica neutro e eu não voto em ninguém.
- Isso é o que você não sabe...
- Por quê Bial? Já votaram em mim?
- Não posso dizer.
- Já vi que sim...
- Ih, Pink, que cisma hein?
- Me diz quem foi, aí eu voto na pessoa e fico tranqüila de ter pago na mesma moeda.
- Não vai espalhar que eu te disse hein?
- Tá.
- O Giuliano.
- Ih é!? Nem esperava...
- É..
- Então eu voto no Giuliano!
- Hahahahahah! Enganei a boba, na casca do ovoooooo...
- Pô, Bial...
- Vota logo, sua tonta.
- Tá... voto em você
- Em mim? Mas eu sou o apresentador.
- E daí? Quem disse que eu tenho que gostar de você?
- Ok, ok... pode votar em si mesma. Agora eu quero mais é que você saia.
- Tá então.
- Sai logo desse confessionário, tenho pressa.
- ...
- Sai!
Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
Flor que se cheire
Esse era um dos vídeos em destaque na Globo.com dia desses. Vejam que falta de absurdo: "Catraca não é flor que se cheire". Mas é claro que não! Será que esse tal de Gustavo realmente acredita que uma catraca é flor e, ainda por cima, cheirosa?
Vamos analisar friamente, ok?
Margarida: Florzinha fofinha amarela e branca que, por acaso, é minha flor favorita. Sendo uma flor, não é manuseada por muitas pessoas até chegar nas suas mãos. E como eu já recebi margaridas anteriormente posso dizer, com toda certeza, de que essas flores podem ser cheiradas tranqüilamente. Exceto se você tiver alergia, aí a culpa é sua de cheirar flor sabendo que tem alergia ou não avisando a quem pode um dia te enviar flores de que você pode morrer sufocado perto delas.
Catraca: objeto utilizado para controle de acesso a determinados lugares. Para passar pela catraca, algumas pessoas têm que colocar as mãos no ferro e empurrar. Usando o exemplo do ônibus, imagine quantas pessoas coçaram a bunda, suaram, colocaram a mão em lugares nojentos, mexeram em lixo hospitalar, brincaram de fazer escultura em cocô, entre outras coisas, não pegaram o mesmo ônibus e colocaram a mão na mesma catraca? No final do dia, convenhamos, a própria catraca não está se aguentando de tanto fedor e cutuca o pé do trocador implorando por um banhinho, sendo obviamente ignorada por ele.
Então, senhor Gustavo, por mais que o senhor consiga encontrar qualquer semelhança entre flores e catracas e ainda queira cheirá-los, opte pelas flores que há séculos exercem esse trabalho muito bem.
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
O Pernil
- Seu pai comprou pernil...
- O que será que aconteceu dessa vez?
Era batata, melhor, pernil. Quando ele chegava em casa com um belo pernil era porque alguma coisa de importante tinha acontecido, boa ou ruim.
Não se sabe de onde Floreval tirou essa idéia. Começou quando suspeitava de que Gontija estava grávida. Comprou um pernilzão e, durante o jantar, ele mesmo anunciou a gravidez:
- Comprei este pernil para comemorar tão bela data. Parabéns para nós dois, certo? Você está grávida!
- Mas Floreval como você descobriu!?
- Eu já desconfiava, mas quando senti vontade de comprar o pernil, tive certeza.
Ter vontade de comprar pernil, para ele, era como acontece com aquelas pessoas que sonham com sapato ou dente e morre alguém.
No supermercado com a família era comum todos ficarem ansiosos na seção de congelados. Pensamentos como "Será que ele pega o pernil?", "O que vai acontecer desta vez?" e "Ih, vovó vai morrer" rondavam a cabeça da esposa e dos filhos, mas só Floreval sabia quando era a hora de comprar pernil.
No jantar desta noite não seria diferente:
- Família...
- Sim!
- Tenho um comunicado importante a fazer.
- Diga, diga!
- Renílson é gay.
- O QUE!?
Renílson ficou indignado, mas o resto da família tinha certeza, afinal de contas o pernil sabe das coisas. Iniciou-se uma discussão sobre a sexualidade do pobre rapaz que durou horas e horas. Renílson argumentava, mas a família dizia apenas que, mais cedo ou mais tarde, ele ia acabar se descobrindo. O pernil para eles estava acima de qualquer argumento de Renílson.
Floreval se sentia o médium das causas familiares. Descobriu que a mulher estava grávida, que a mãe ia morrer, que a filha tinha repetido de ano, entre outras coisas, e agora, mesmo desapontado, havia descoberto que o filho era homossexual.
Renílson trancou-se no quarto, indignado. Como poderiam duvidar dele? Tomou banho, penteou os cabelos, perfumou-se, passou batom e foi embora de casa. Não poderia conviver com pessoas que acreditam mais num pernil do que nele. Uma lástima.
Quarta-feira, Janeiro 05, 2005
MCSEOQNEDBMD - Manual de Como Sobreviver a Engarrafamentos e Ônibus Quebrados Nessas Estradas Desse Brasil de Meu Deus
Fui a São José dos Campos recentemente. A cidade é linda, lá é ótimo. Mas eu ainda não tinha escrito esse manual quando fui e meu ônibus quebrou na ida e ficou engarrafado na volta.
E foi no tempo que eu tive que esperar o conserto do ônibus e tirarem uma carreta de Kaiser da estrada que eu tive essa mirabolante idéia que me renderá milhões, bem amarelos e com sal, por favor.
1ª regra básica de sobrevivência a engarrafamentos e ônibus quebrados nessas estradas desse Brasil de meu Deus
Você deve ter um celular modernoso e com milhões de funções. Eu não tenho e fiquei imaginando como seria bom ter um desses celulares com joguinhos realistas, acesso à internet, essas coisas. Mas eu só pude imaginar mesmo. Então, antes de viajar, troque seu antigo celular sem gracinha por um que possa entretê-lo durante horas de espera na estrada.
2ª regra básica de sobrevivênca a engarrafamentos e ônibus quebrados nessas estradas desse Brasil de meu Deus
Não esteja sozinho. Eu estava com a minha irmã, e graças a Deus que era ela, que é uma pessoa ótima de se conversar. Se você estiver sozinho, bom, espero que tenha um celular com 500 funções divertidas, mas se estiver bem acompanhado, aproveite esse momento mágico para lembrar da infância e dizer coisas clichês como "será que vai demorar?", "esse engarrafamento não anda..." e "que azar o ônibus quebrar, hein?".
E se estiver mal acompanhado, dê uma martelada na cabeça de seu acompanhante, jogue o martelo para o banco de trás e diga que foi a pessoa que ali estiver sentada que atacou sua companhia.
3ª regra de sobrevivência a engarrafamentos e ônibus quebrados nessas estradas desse Brasil de meu Deus
Peça para o motorista que o ônibus quebre ou fique engarrafado na frente de um shopping ou qualquer lugar que você possa passar o tempo se distraindo. No meu caso, na ida o ônibus quebrou no meio do nada e fui rebocada até um posto boboca e na volta ficou engarrafado no meio do nada, vejam as imagens:
Posto boboca
Meio do nada
4ª regra de sobrevivência a engarrafamentos e ônibus quebrados nessas estradas desse Brasil de meu Deus
Tenha em mãos uma câmera, de preferência digital e com pilhas boas, para registrar todos os momentos de suas aventuras na estrada. Sigam meu exemplo e sejam felizes:
Caminhão Vizinho
Bomba do posto
5ª regra de sobrevivência a engarrafamentos e ônibus quebrados nessas estradas desse Brasil de meu Deus
Evite fazer amizades com outros passageiros, a não ser que você tenha certeza de que, como a senhora que está de pé ao lado do ônibus na foto abaixo, não seja uma pessoa que vai se sentir íntimo o suficiente para ficar puxando assuntos e pedir para sentar do seu lado. E se não pedir, ficar em pé no corredor apoiado na sua poltrona.
Senhora gente boa
Com essas minhas dicas, meu charme e inteligência você poderá sair vivo de horas e horas esperando socorro na estrada. Anote tudo isso e boa viagem espera!
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