Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Jucélio, o estudante de publicidade

Jucélio, desde de criança, sempre foi um menino muito engraçado e comunicativo. Os parentes, tia Cyumara em especial, costumavam passar a mão nos cabelos dele e dizer: "esse menino é um prodígio! Tem futuro na televisão!".

Acostumado a ouvir esses elogios, Jucélio cresceu buscando formas de se exibir cada vez mais para seus parentes e amigos em busca de mais elogios, mais afagos, mais atenção. Aos treze anos descobriu o fantástico mundo da publicidade e procurava saber tudo sobre a profissão.

Quando entrou na faculdade, descobriu que o curso que escolhera era muito mais amplo do que imaginava. Agora ele tinha aulas sobre um monte de coisas, marketing, etc. E um monte de estatísticas para usar em conversas e contar vantagem por aí.

Dizia a namorada que ela não devia falar tão difícil já que usando palavras como "exponencialmente" e "globalização", pois "não atingiria as massas". Ele mesmo adicionava ou subtraía palavras do seu dicionário de acordo com o interlocutor.

Se estivesse conversando com índios:
- Pai de Jucélio ser bom curandeiro.

Com crianças:
- Meu pai é um médico muito bom e muito lecau! ^^

Com adolescentes:
- Meu pai é mó médico bonzão, véi!

Com intelectuais:
- Meu progenitor é um renomado cirurgião cardiotorácico.

Com pobres:
- Meu pai trabáia com esses negoço aí de medicina, faz cirugia...

E adorava estatísticas! Independente do assunto, Jucélio arrumava uma boa estatística pra enfiar no meio.

- Jucélio, você não imagina, o pão que eu comprei ontem estava podre!
- 78% das panificadoras investem mais em obras e limpeza da padaria do que da cozinha.
- É mesmo? E a Marcinha, aquela gostosa? Botou silicone! Ela é novinha, né?
- A cada 10 pessoas que fazem cirurgias plásticas, 2,5 são adolescentes.

Acabou arrumando um empreguinho numa grande rede de supermercados, mas no açougue, por onde o pessoal do marketing passava longe quando ele estava de serviço.

- Lá vem aquele chato querer discutir com a gente. Vamos cortar caminho pelos nabos.

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Terça-feira, Outubro 04, 2005

Conquista

Partindo do princípio que as mulheres ganham em 1% dos homens em número no Brasil, posso imaginar uma história no ano de, sei lá, 2100, quando essa diferença subir para 80%, caso esse número só aumente (deixem-me criar, for God's sake!) e homem for uma espécie bem rara.

Shirley e Larissa são duas amigas que ostentam seus cabelos, maquiagem e vestimenta prateados, típicos do futuro, e conversam na nave de Shirley, que tem grandes painéis de botões coloridos.

- Shi, soube de homens no Sul, vamos procurá-los?
- Já devem ter donas...
- Ah, que que custa tentar?
- Quantos são?
- 2.
- Ok, vamos.

Exatos treze segundos depois, partindo do Rio de Janeiro, as amigas aterrisam em Porto Alegre e tentam se informar, discretamente para não despertar concorrência, onde estão os tais homens. Com as informações em mãos (no caso, luvas prateadas) elas partem ao encontro de X255 e 633D, os homens.

Quando os encontram logo percebem que X255 é casado, a coleira denuncia, mas 633D é solteiro. Começa a discussão das amigas para saber quem leva o bofe. Shirley deixa Larissa falando sozinha e toma a iniciativa com palavras que julga mágicas na conquista de um macho. Ela não tem nem como praticar.

- Futebol, escanteio, corrida, carros, seios, gol, bunda...
- Hã?
- Você não gosta disso?

Larissa se aproxima e conversa animadamente com o rapaz, que confessa ser gay. Shirley ouve a conversa, se aproxima, e tenta de novo:

- Gliter, homem, luxo, rosa, Barbra Streisand, I will survive, esmalte cintilante...

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Segunda-feira, Outubro 03, 2005

- Senhora, esta entrada é do mês passado.
- COMO OUSA?
- Veja: 30/06/2005.
- Dois mil e cinco?!
- Sim.
- Não estamos em 84?
- Não, senhora.
- CÉUS!
- ...
- Deixe-me entrar no cinema! Marquei com Agostinho! Com Agostinho! OH, MEU AGOSTINHO! OH, AGOGÔ! DEIXE-ME ENTRAR! DEIXE-ME ENTRAR!
- Senhora, eu não...
- TRINTA E UM ANOS, OH, TRINTA E UM... EU PRECISO, EU PRECISO! POR FAVOR ME DEIXE ENTRAR NO CINEMA!
- Err... sim, sim, dessa vez passa. Acalme-se!

Dentro do cinema:
- HEHEHEHE, trouxa!

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