Dormir sozinho é bom, mas cansa. É nunca ter par na hora da dança. No início, tudo bem, a gente dança sem ninguém uma música animada. O problema é quando chega a solidão, com os acordes fortes de uma triste balada...
Porém, sempre há o lado bom: nas noites de muito frio, ninguém puxa seu edredon. E, além do mais, ninguém te chuta ou implica se a janela está aberta ou se o seu cobertor pinica.
E é nas pequenas coisas que a mágica acontece: você põe um doce na geladeira e ele não desaparece! Tudo o que está na despensa é você quem vai comer. Algumas vezes - é verdade - mesmo depois que a validade vencer.
Quando se mora sozinho, a geração espontânea faz sentido: todas as moscas e formigas surgem do desconhecido! Um copo na pia, em apenas um dia, de alguns insetos já se torna moradia. Mas isso não é um problema, not at all: para a salvação de todos, já existe o aerosol.
Se você não se alimenta bem, não pode culpar ninguém. Talvez a sua preguiça. Ou aquelas vezes em que o gás termina ou o fogão enguiça. Para esses casos, sempre há o disk-entrega. E se quiser um desafio, é só pedir tamanho mega.
Uns chamam de Murphy, outros chamam de azar: basta entrar no chuveiro pro telefone tocar. Quando você estava sequinho, ninguém te ligou. Você só se torna imprescindível depois que já se ensaboou. Aí tenta, rapidamente, se secar e atender quem te chama. Quando atende, adivinha? Já desistiram e está dando linha...
Pra morar sozinho, tem que ser responsável e corajoso. E, ainda que você não seja, pode ser maravilhoso. Tem aquelas horas em que você bem gostaria de ter companhia, mas é só chamar alguém ou dar uma saída.
Morando sozinho, você vive várias coisas das quais só você vai lembrar. E que, no futuro, vai contar pra quem trocar os acordes da solidão pela melodia alegre de uma nova paixão.
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