Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

Ciclo

Aquela barata tornou-se uma companheira tão constante que, quando morreu, foi ela, a barata, quem leu uma mensagem bonita no velório. Todos a cumprimentaram solenemente e o tio do falecido ofereceu sua casa para que ela passasse a noite. Voltar para onde viviam assim, de cara, seria doloroso demais, mesmo para quem tem sangue de barata.

Eventualmente a barata voltou para o lar onde viviam. Era tão estranho! Com o tempo, acabou morrendo também. Em seu velório, quem leu a mensagem bonita foi o tio do falecido, que acabou se apegando àquela barata tão gente boa que recebeu em casa num momento difícil.

Quando o tio morreu, não teve mensagem bonita. Mas o seu carneiro no cemitério do Caju estava cheio de baratas.

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