Quando passo por esse bar e leito a supracitada frase, fico a pensar no terror que ela representaria se seu sentido fosse literal. Vamos imaginar que, numa sexta-feira qualquer, eu decidisse passar por lá depois da aula com alguns amigos ou um namorado. Pior, consideremos que eu fosse para lá sozinha, querendo apenas encontrar num shot de tequila algum conforto para a bomba que acabei de tomar em Comportamento do Consumidor, por exemplo. Ou, quem sabe, eu poderia entrar lá simplesmente para usar o banheiro em um momento de puro, sincero e completo desespero.
Considerando a hipótese da tequila, eu entraria no bar, me dirigiria ao balcão, pediria a perigosa bebida e o barman, limpando a madeira de lei que reveste o bar com um daqueles panos brancos típicos de barmans, me perguntaria com um sorriso animado: "Está pronta, Dona Luíse?". "Para que!?", perguntaria eu para a surpresa de todos no bar. "Para o show! A senhora viu a placa antes de entrar, não viu? 'A estrela do show hoje é... você!'", me responderia ele, como se óbvio fosse.
Quando eu me virasse para trás, encontraria os olhares ávidos de todos aqueles que numa sexta-feira qualquer decidiram ir ao bar se divertir. Suas expressões de angústia ao perceber que a estrela do dia aparentemente não está disposta a entretê-los partiria o meu coração e eu, mole que sou, precisaria pensar rapidamente em algo para apresentar àquela gente.
É provável que eu tiraria da manga uma poesia que decorei para uma apresentação ainda no primário, mas da qual jamais me esqueci. Ela fala sobre uma pipa, um dia de sol. Tem uma piadinha no final, costuma divertir as pessoas. Como sou muito fraca para bebiba, é certo que meu leve estado alcoolizado tornaria tudo ainda mais engraçado. Além disso, eu já poderia contar com o álcool agindo também na mente de meus espectadores fazendo-os nem mesmo notar que, na verdade, eu nunca decorei poesia nenhuma.
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