Hoje uma grande amiga minha faz aniversário (ela não lê o blog, uma pena) e também uma tia minha. Não lembrei de nada disso até agora, 23h20, quando fui alertada - vejam vocês - pela mais defasada de todas as redes sociais, o Orkut. O que me incomoda é essa sensação de que eu as amo menos só porque esqueci de seus aniversários. Como ambas me conhecem bem, sabem que não é verdade e que eu sou apenas muito esquecida para datas, mas existe em nossa sociedade essa coisa de que TEMOS QUE LEMBRAR dos aniversários das pessoas.
Isso não é nem ao menos lógico. Eu conheço muitas pessoas, diversas, muitas que eu nem desejaria conhecer, mas que fazem parte do número de seres cuja data de nascimento eu devo decorar para não deixar de dizer "Ei, que bom que você nasceu. Parabéns pelo milagre da vida!". Algumas delas são parentes que nem sabem que curso eu faço na faculdade, mas ai de mim se não ligar e felicitá-las por mais 365 dias de vida.
Amigos, eu até entendo a importância particular de cada um prestar atenção em quantos anos têm. Sei lá, aos 18 os meninos precisam se alistar, a gente precisa ter uma certa idade pra fazer certas coisas, mas isso, em geral, só importa a nós mesmos. Tô nem aí se você tem 23 hoje e amanhã terá 24, você é a mesma pessoa que era ontem, apenas conseguiu evitar uma morte estúpida antes de completar outro ano de vida. Grandes merdas.
A gente fica desejando várias coisas pra pessoa, como se a partir daquela data alguma coisa fosse mudar. Que besteira. Por mim isso acabava, de verdade. Festinhas, abanação de rabinho, vários recadinhos, presentes. A única pessoa a se incomodar com isso deveria ser aniversariante, que deveria dar-se por satisfeito de ter vivido mais um ano, tomar um capuccino comemorativo e seguir sua vida. É isso: eu apóio a instituição do capuccino comemorativo em substituição a qualquer outra forma tradicional de comemoração de aniversário. Para as crianças, poderia ser servido um suco de frutas, opção também para aqueles que não gostam de café (como eu).
Explicada a pouca importância que dou a aniversários, imagino que vocês entendam ainda mais o desprezo que sinto por essa obrigação ridícula de lembrarmos do aniversário de entes e amigos. Eu jamais sei o que dizer quando alguém vem me cobrar por ter esquecido de dar os parabéns. Peço desculpas, mas nunca sei bem pelo o quê. Eu provavelmente tinha contas a pagar, trabalhos para entregar, sonos para tirar de tardinha, e não tive nem tempo de lembrar que há, sei lá, 22 anos atrás a sua mãe estava arreganhada colocando você no mundo.
Enfim, espero que vocês nunca mais venham me encher o saco por esquecer dos seus aniversários. Às vezes não lembro nem do meu. True story.
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