Sexta-feira, Maio 22, 2009

Talvez

Decidiu que não seria mais o mesmo Carlão. Aliás, esse apelido já tinha em si uma certa carga pesada: Carlão. É uma palavra que sai da boca e desaba no chão. Faz estardalhaço. Chegou o Carlão! Deve ser um homem alto, forte, meio gordo, expansivo e de óculos Ray-Ban aviator com haste dourada. Original, comprado com o seu salário de delegado federal.

Mas, não mais! Agora seria Carlos. Mas Carlos também não dá. Carlos é muito médio. Lá vem o Carlos! Parece até que é uma pessoa chata, que trabalha em repartição. Carlos é o nome de quem não é convidado pra festa do escritório, mas acaba ajudando a limpar a bagunça dos colegas que o desprezam. Carlos é médio, qualquer um é Carlos. Carlos sai da boca e se perde no espaço. Precisava de um nome diferente, mas não tão molenga.

Carlinhos também não dava. Mudar de Carlão para Carlinhos era dar na pinta demais. Acorda Carlão e dorme Carlinhos? Eu, hein! Carlinhos tem que ser Carlinhos desde pequenininho ou, pelo menos, desde a faculdade. Camarada com mais de 30 e há mais de 10 sendo chamado de Carlão mudar para Carlinhos é esquisito. Algo ocorre. Perde aquela testosterona toda. Não quer dizer que é viado, mas vai cuidar da mamãe a vida toda e dos gatos dela depois que a velha morrer.

Teve uma ideia: apelaria para o seu primeiro nome! Carlão era, na verdade, José Carlos de Almeida e Silva, mas agora só atenderia por José. José. Mas José vira Zé e Carlão não queria deixar de ser Carlão pra virar um Zé qualquer. Um sobrenome, talvez? Almeida? É, Almeida atendia às suas expectativas, casava com a nova personalidade, mas se o chamassem por Almeida ele não ia conseguir atender. Imaginou um dia em que alguém, tentando salvá-lo de um atropelamento ou tiro, gritasse: ALMEIDA, CUIDADO! Ele ia procurar o Almeida para tentar alertá-lo também.

Mas um nome não é um homem, certo? E quem mudaria era o homem. Carlão pensaria mais tarde numa alcunha que lhe coubesse melhor. Por ora, planejava mudar seu estilo de vida. Cigarros? Nunca mais! Jogaria todos na privada! E não apenas isso: jogaria todos na privada e daria descarga. Nem todos desceriam, mas ele daria quantas descargas foram necessárias para que até o último cigarro tomasse o caminho do esgoto e encontrasse um rato que o fumasse! Mas se o rato fumasse algum dos seus cigarros, morreria, pois uma vez leu que os cigarros têm veneno de rato em sua composição e esse era um dos motivos pelos quais ele largaria esse vício. Chega de fumar veneno de rato!

Bebida? Nem antes, nem durante, nem depois do futebol. O novo Carlão só bebe sucos. E se a rapaziada for na casa dele, vai experimentar muitas combinações de frutas nos variados sucos que ele preparará na sua centrífuga, mas nem uma gota de álcool.

O novo Carlão será um pai melhor, um marido excelente, um funcionário imaculado, bom vizinho, bom cristão, bom amigo, bom filho, bom cunhado, bom irmão! O novo Carlão será até mais bonito, já que praticará esportes e se alimentará bem. Mas por mais que o assédio da mulherada cresça, Carlão continuará sendo fiel à sua eterna namoradinha Judith.

Quando parou de pensar nessas coisas, Carlão apagou seu cigarro, deu mais uns goles no uísque que o esperava na cabeceira e despediu-se de Neidinha com um beijo apaixonado. Ia certamente sentir falta de seus vícios quando o novo Carlão saísse de seus pensamentos.

Mas, por ora, é onde ele vai ficar. E talvez fique até a morte... já pensou em como o novo Carlão seria enterrado? A viuvinha chorando em cima do caixão e os filhos (o mais velho, fiscal do imposto de renda; a do meio, advogada de sucesso; e a caçula, estudando na França, teria vindo só para o enterro do pai) muito emocionados amparando a mãe... ah, é o enterro mais lindo de um homem que nunca vai existir.

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Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Matemática e eu (Uma sátira a "Marley e Eu", pescaram? Não? Vocês são mesmo uns idiotas! Ou eu não sou boa com trocadilhos. YOU DECIDE!)

Eu odeio matemática. Pior que matemática só aquelas pessoas que, ao me ouvirem dizer que odeio matemática, dizem: "Mas a matemática é muito importante!". Acredito que na mente dessas pessoas "eu odeio" e "não serve pra nada" estão na mesma prateleira, quiçá na mesma embalagem, mas em plastiquinhos diferentes (como quando a gente compra uma câmera e ela vem num plastiquinho e o cabo USB em outro). Elas provavelmente só odeiam coisas desimportantes como mamilos em homens, dentes do siso e pizza de bife com fritas.

Quando o argumento da importância é usado contra o meu ódio, é como se a matemática fosse tão grandiosa que meu ódio nada significasse perto dela. É verdade, mas magoa. Meu ódio, tão puro, tão maroto! Ódio genuíno, ódio menino! Ódio de rua, de várzea, gostoso de sentir. Esse ódio tão singelo não merece ser desmerecido.

Além do mais, é tão comum odiar coisas importantes. As pessoas odeiam quando chove e até mesmo usam isso como tópico de conversa no elevador e ninguém diz que a chuva é importante. Pois eu digo, e ainda digo que é mais importante que a matemática. ISSO AÍ, MANO! DORME COM ESSA! E digo mais: o que você vai fazer com seus números quando a seca chegar? Vai torcê-los e esperar que caia água deles? Vai somá-los e tentar bebê-los? I THINK NOT! Você vai torcer para que chova. Não existe situação em que alguém torca por matemática! A frase "tomara que derive um pouquinho" jamais será ouvida!

Digo isso tudo porque não devo ser a única. Quero dar voz a todos que odeiam matemática! Libertem-se! Podem odiá-la, mesmo que ela seja importante! Sejam ingratos! Cuspam em Pitágoras! Não tenham vergonha de ter preguiça de fazer contas de cabeça! Alguém, muito bom em matemática, já inventou a calculadora para nós! Vamos gostar de quem gosta de nós, e certamente a matemática nunca gostou de mim!

(É claro que é bom você se garantir em outra área, né? Eu nunca fui boa em matemática, mas DÁ UM PAPEL PREU'SCREVÊ! Se você não gosta e nem é bom em nenhuma outra coisa, aí você é só burro mesmo. Shame on you!)

No mais, está lançado o movimento "Soma, Subtração e Divisão", para aqueles que, depois do colégio, só precisaram usar essas três operações. É um movimento estático, na verdade. Não queremos nada, não lutamos por nada. Apenas concordamos com isso e achamos essa informação relevante. Algo entre uma comunidade no orkut, mas não tão simplório, e a Revolução Cubana, mas não tão comunista.


PS: O pano de fundo deste post é o trauma que em mim foi colocado quando eu tinha apenas 9 aninhos de idade e nada sabia dessa vida. Estava eu na 3ª série, aprendendo divisão, quando a professora Regina me chamou ao quadro para resolver uma continha desta operação. Lembro de haver outras escritas no quadro negro, as quais eu resolveria com facilidade, mas ela chamou-me para resolver justo a que eu achei mais complicada. Acredito que era 7/11. Tensa, levantei de minha carteira e dirigi-me à frente da turma. Segurei o giz pelo o que pareciam ser horas, tentando, com meu parco conhecimento, chegar à solução. Mas quanto mais o tempo passava, mais nervosa eu ficava e mais a resposta se afastava de mim. Até que a professora disse: "Você não vai resolver, não? Vai ficar aí apoiando o giz? Eu não preciso de um apoio de giz! Vá se sentar! Flávio, venha resolver".

Larguei o giz no apoio e já com os olhos cheios de lágrimas, fui sentar no meu lugar. Não sei se alguém reparou, mas abaixei a cabeça e chorei um pouco em cima do caderno. É claro que logo limpei o rosto nas mangas o meu casaco, levantei a cabeça e fingi que nada tinha acontecido.

É claro que só lembro do nome desse maldito menino porque ele foi a cereja do bolo de toda a minha humilhação. Resolveu a questão em segundos e voltou com um riso safado no canto dos lábios para sua carteira. A professora ainda disse outras coisas ruins enquanto eu estava de pé, mas minha memória seletiva só guardou o "apoio de giz". Nada nunca me deixou tão triste.

Espero que meu ódio esteja justificado, beijos!

PS2: Ok, TALVEZ eu tenha feito algumas multiplicações depois do colégio, mas nada grave. Nunca precisei multiplicar dois números com dois dígitos, por exemplo. Por isso, apesar da tonelada de emails que recebi de pessoas pedindo para que o nome do movimento fosse modificado para "As Quatro Operações", ele permanecerá o mesmo. Seria como dizer que o Doum é tão santo quanto São Cosme e São Damião e fazer uma festa pra ele também.

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Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Mas será o Bene?



Agora a internet também quer ensinar a beber e ficar nostálgico?

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Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Pinto com a boca

Josivélio pintava com a boca, o que era um drama, já que ele não era deficiente. Suas pinturas, tão lindas, valiam todas muito pouco, bem menos do que as pintadas por quem não tinha ou não podia usar mãos e braços.

Ele não tinha culpa. Descobriu seu talento acidentalmente quando, por estar com as mãos ocupadas, resolveu segurar com os dentes o pincel com tinta azul que um amigo da escolinha lhe devolvia. Com aquele pincel, esbarrou num papel e o traço acidental, mas firme, o fez perceber o dom.

Alguns achavam um desaforo que ele não usasse as mãos para pintar. "Onde já se viu?" é o que diziam. "Acontece que não tenho talento com as mãos", ele respondia.

Acabou, em sua fúria, criando a comunidade "Pinto com a boca, mas tenho mãos" no orkut, mas a união das palavras pinto e boca atraiu uma multidão duvidosa de membros.

Por fim desistiu da careira de pintor. Resolveu estudar artes cênicas, mas todos acharam um absurdo, já que ele podia muito bem tentar ganhar dinheiro.

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Domingo, Outubro 26, 2008

ORLY?

O homem, tão másculo, tão viril! Aprendeu a ler, escrever, faz relatórios mil. Muitos são sedentários, de esporte querem distância. Ao verem uma academia, de vômito, vem a ânsia. O homem inventou a roda, inventou o sorvete, inventou a moda. O homem constrói prédios de mais de 100 andares, dá aulas particulares, fabrica carros aos milhares. O homem aprendeu a usar sapato, a tirar retrato, não mais caga no mato. Toma banho de chuveiro, inventou o tal dinheiro, faz a barba no barbeiro. No calor, liga o ar, vai nadar, se refrescar. No frio, que arrepio, liga o aquecedor, pega um cobertor, abraça o amor. Pra paquerar, vai a um bar, badalar, vai flertar. As fêmeas é que disputam os machos, que ultimamente andam xoxos.

O homem adaptou-se muito bem a tantas modernidades que ele próprio inventou. Seu instinto de sobrevivência o leva a fazer concurso público, acasalar o leva a casar, seus maiores predadores hoje em dia são os credores, procriar inclui escola pra pagar. O pão de cada dia tem um preço que varia, depende de como andam as pernas da economia.

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

Munição

Quero apenas registrar minha grande admiração pela palavra "munição" e registrar que houveram inúmeras tentativas de relacioná-la de alguma forma com "Mussum", sem sucesso.

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