Domingo, Agosto 23, 2009
Queijo
Eu não gostava de queijo. Era o tipo de criança maluca que tirava o queijo da pizza e dizia por aí que amava pizza. Eu amava massa com molho, mas realmente acreditava que podia chamar aquele pedaço esquartejado de pizza de pizza. Era a parte pelo todo.
Com o tempo, o queijo foi se fazendo cada vez mais presente no meu dia a dia. Ia comprar um sanduíche qualquer e pimba! Lá estava o queijo no meio dos ingredientes. Aí eu tinha que explicar pro balconista que queria sem queijo. Alguns me olhavam com certa reprovação, como se isso dissesse algo sobre o meu caráter. Uma menina assim, numa idade em que todos já deviam amar queijo loucamente, rejeitando uma singela fatia do amarelo laticínio? Não é possível. Deve ter alguma coisa errada com ela!
Meus pais nunca se preocuparam. Aceitavam passivamente o fato de que a caçula simplesmente se recusava a comer queijo. Quando íamos a festas, almoços e jantares onde haveria algum prato com queijo, se adiantavam em esclarecer aos anfitriões a minha disfunção, e alguns deles me fitavam com a mesma desconfiança que os atendentes de lanchonete.
Mas eis que o queijo é um alimento furtivo. Ele aparece discretamente em pratos e situações que você jamais poderia imaginar. Certas vezes eu estava pronta para morder um sanduíche aparentemente livre de queijo quando, de repente, percebia sua presença à minha espreita, bem ali, em cima do alface. A fome, então, por vezes me impedia de tomar alguma atitude senão encarar meu inimigo de frente e tentar forçosamente abstrair o sabor que à época me desagradava.
E foi assim que, de sanduíche errado em sanduíche errado, de mussarela mal raspada em mussarela mal raspada que eu percebi que, às vezes, as coisas ficavam melhor com queijo. Experimentei-o no macarrão e pareceu-me ótimo. Em dias mais ousados, até mesmo deixava a maior parte do queijo na pizza para apreciar seu encaixe perfeito com o sabor da massa e do molho, que eu conhecia tão bem. Até que, quando me dei conta, estava pedindo fatias extras de queijo em meus sanduíches e pesando a mão no parmesão ralado nos meus pratos de macarrão.
Segunda-feira, Dezembro 15, 2008
Matemática e eu (Uma sátira a "Marley e Eu", pescaram? Não? Vocês são mesmo uns idiotas! Ou eu não sou boa com trocadilhos. YOU DECIDE!)
Eu odeio matemática. Pior que matemática só aquelas pessoas que, ao me ouvirem dizer que odeio matemática, dizem: "Mas a matemática é muito importante!". Acredito que na mente dessas pessoas "eu odeio" e "não serve pra nada" estão na mesma prateleira, quiçá na mesma embalagem, mas em plastiquinhos diferentes (como quando a gente compra uma câmera e ela vem num plastiquinho e o cabo USB em outro). Elas provavelmente só odeiam coisas desimportantes como mamilos em homens, dentes do siso e pizza de bife com fritas.
Quando o argumento da importância é usado contra o meu ódio, é como se a matemática fosse tão grandiosa que meu ódio nada significasse perto dela. É verdade, mas magoa. Meu ódio, tão puro, tão maroto! Ódio genuíno, ódio menino! Ódio de rua, de várzea, gostoso de sentir. Esse ódio tão singelo não merece ser desmerecido.
Além do mais, é tão comum odiar coisas importantes. As pessoas odeiam quando chove e até mesmo usam isso como tópico de conversa no elevador e ninguém diz que a chuva é importante. Pois eu digo, e ainda digo que é mais importante que a matemática. ISSO AÍ, MANO! DORME COM ESSA! E digo mais: o que você vai fazer com seus números quando a seca chegar? Vai torcê-los e esperar que caia água deles? Vai somá-los e tentar bebê-los? I THINK NOT! Você vai torcer para que chova. Não existe situação em que alguém torca por matemática! A frase "tomara que derive um pouquinho" jamais será ouvida!
Digo isso tudo porque não devo ser a única. Quero dar voz a todos que odeiam matemática! Libertem-se! Podem odiá-la, mesmo que ela seja importante! Sejam ingratos! Cuspam em Pitágoras! Não tenham vergonha de ter preguiça de fazer contas de cabeça! Alguém, muito bom em matemática, já inventou a calculadora para nós! Vamos gostar de quem gosta de nós, e certamente a matemática nunca gostou de mim!
(É claro que é bom você se garantir em outra área, né? Eu nunca fui boa em matemática, mas DÁ UM PAPEL PREU'SCREVÊ! Se você não gosta e nem é bom em nenhuma outra coisa, aí você é só burro mesmo. Shame on you!)
No mais, está lançado o movimento "Soma, Subtração e Divisão", para aqueles que, depois do colégio, só precisaram usar essas três operações. É um movimento estático, na verdade. Não queremos nada, não lutamos por nada. Apenas concordamos com isso e achamos essa informação relevante. Algo entre uma comunidade no orkut, mas não tão simplório, e a Revolução Cubana, mas não tão comunista.
PS: O pano de fundo deste post é o trauma que em mim foi colocado quando eu tinha apenas 9 aninhos de idade e nada sabia dessa vida. Estava eu na 3ª série, aprendendo divisão, quando a professora Regina me chamou ao quadro para resolver uma continha desta operação. Lembro de haver outras escritas no quadro negro, as quais eu resolveria com facilidade, mas ela chamou-me para resolver justo a que eu achei mais complicada. Acredito que era 7/11. Tensa, levantei de minha carteira e dirigi-me à frente da turma. Segurei o giz pelo o que pareciam ser horas, tentando, com meu parco conhecimento, chegar à solução. Mas quanto mais o tempo passava, mais nervosa eu ficava e mais a resposta se afastava de mim. Até que a professora disse: "Você não vai resolver, não? Vai ficar aí apoiando o giz? Eu não preciso de um apoio de giz! Vá se sentar! Flávio, venha resolver".
Larguei o giz no apoio e já com os olhos cheios de lágrimas, fui sentar no meu lugar. Não sei se alguém reparou, mas abaixei a cabeça e chorei um pouco em cima do caderno. É claro que logo limpei o rosto nas mangas o meu casaco, levantei a cabeça e fingi que nada tinha acontecido.
É claro que só lembro do nome desse maldito menino porque ele foi a cereja do bolo de toda a minha humilhação. Resolveu a questão em segundos e voltou com um riso safado no canto dos lábios para sua carteira. A professora ainda disse outras coisas ruins enquanto eu estava de pé, mas minha memória seletiva só guardou o "apoio de giz". Nada nunca me deixou tão triste.
Espero que meu ódio esteja justificado, beijos!
PS2: Ok, TALVEZ eu tenha feito algumas multiplicações depois do colégio, mas nada grave. Nunca precisei multiplicar dois números com dois dígitos, por exemplo. Por isso, apesar da tonelada de emails que recebi de pessoas pedindo para que o nome do movimento fosse modificado para "As Quatro Operações", ele permanecerá o mesmo. Seria como dizer que o Doum é tão santo quanto São Cosme e São Damião e fazer uma festa pra ele também.
Quinta-feira, Dezembro 11, 2008
Mas será o Bene?

Agora a internet também quer ensinar a beber e ficar nostálgico?
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
Pinto com a boca
Josivélio pintava com a boca, o que era um drama, já que ele não era deficiente. Suas pinturas, tão lindas, valiam todas muito pouco, bem menos do que as pintadas por quem não tinha ou não podia usar mãos e braços.
Ele não tinha culpa. Descobriu seu talento acidentalmente quando, por estar com as mãos ocupadas, resolveu segurar com os dentes o pincel com tinta azul que um amigo da escolinha lhe devolvia. Com aquele pincel, esbarrou num papel e o traço acidental, mas firme, o fez perceber o dom.
Alguns achavam um desaforo que ele não usasse as mãos para pintar. "Onde já se viu?" é o que diziam. "Acontece que não tenho talento com as mãos", ele respondia.
Acabou, em sua fúria, criando a comunidade "Pinto com a boca, mas tenho mãos" no orkut, mas a união das palavras pinto e boca atraiu uma multidão duvidosa de membros.
Por fim desistiu da careira de pintor. Resolveu estudar artes cênicas, mas todos acharam um absurdo, já que ele podia muito bem tentar ganhar dinheiro.
Domingo, Outubro 26, 2008
ORLY?
O homem, tão másculo, tão viril! Aprendeu a ler, escrever, faz relatórios mil. Muitos são sedentários, de esporte querem distância. Ao verem uma academia, de vômito, vem a ânsia. O homem inventou a roda, inventou o sorvete, inventou a moda. O homem constrói prédios de mais de 100 andares, dá aulas particulares, fabrica carros aos milhares. O homem aprendeu a usar sapato, a tirar retrato, não mais caga no mato. Toma banho de chuveiro, inventou o tal dinheiro, faz a barba no barbeiro. No calor, liga o ar, vai nadar, se refrescar. No frio, que arrepio, liga o aquecedor, pega um cobertor, abraça o amor. Pra paquerar, vai a um bar, badalar, vai flertar. As fêmeas é que disputam os machos, que ultimamente andam xoxos.
O homem adaptou-se muito bem a tantas modernidades que ele próprio inventou. Seu instinto de sobrevivência o leva a fazer concurso público, acasalar o leva a casar, seus maiores predadores hoje em dia são os credores, procriar inclui escola pra pagar. O pão de cada dia tem um preço que varia, depende de como andam as pernas da economia.
Quinta-feira, Outubro 02, 2008
Munição
Quero apenas registrar minha grande admiração pela palavra "munição" e registrar que houveram inúmeras tentativas de relacioná-la de alguma forma com "Mussum", sem sucesso.
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